O empresário do calcário aposta no desenvolvimento

No dia 24 de maio, as principais lideranças do agronegócio brasileiro terão um dia específico para avaliar os efeitos dos resultados obtidos em suas atividades. Ao lado das autoridades, os principais atores poderão refletir a respeito de números e índices, que são bons, mas que poderiam ser ampliados caso tivéssemos um olhar um pouco mais apurado com um dos componentes da atividade: o solo.

Nessa data, festeja-se em todo país o Dia Nacional do Calcário Agrícola. Adotado de forma tecnificada e sistemática, o calcário representa um importante instrumento para que possamos avançar no total colhido, bem como na melhoria da qualidade das pastagens.

Já está comprovado que o avanço do agronegócio brasileiro se deu com ganhos de produtividade bem superiores à área plantada. O mesmo ocorreu em São Paulo. Parte dos excelentes resultados obtidos na produção de alimentos e energia se deve ao processo de correção da acidez do solo.

Prova disso é a Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro de 2022, publicada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O estudo mostrou que as vendas externas no período de janeiro a março último ficaram em US$ 5,15 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 1,25 bilhão.

Além dos quase US$ 4 bilhões de superávit, contribuímos para um resultado 40,8% maior que o observado nos primeiros três meses de 2021.

Na economia estadual, o agro já é responsável por um a cada três dólares de divisas conquistadas no Exterior. Ao mesmo tempo, encontra espaço para alimentar os brasileiros, em produtos como açúcar, carne, soja e suco de laranja.

E aqui gostaria de saudar o empresário paulista do segmento do calcário agrícola pela sua resiliência. Se há espaço para consolidar vitórias, há muitos entraves no nosso cotidiano. Um deles é a alta dos custos, que desafia diariamente nossas empresas e suas equipes no processo de gestão.

As empresas se desdobram para, numa operação que envolve mineração, ofertar ao agronegócio regional insumos da melhor qualidade. Basta dizer que algumas de nossas matérias-primas tiveram elevação de preços que beiram os 90% nos últimos 12 meses.

O fator combustível também nos impõe desafios. E estamos falando de um setor em que o frete influencia decisivamente as vendas. Sem contar a questão dos fertilizantes, cujos resultados são ampliados quando utilizados ao lado dos corretivos. O conflito na Europa gerou um apagão nos fertilizantes que atingiu a cadeia em cheio.

Apesar das adversidades, o produtor paulista de calcário tem hoje um conjunto de plantas pronto a fornecer aos seus clientes não apenas o total consumido no Estado, mas quantidades superiores que permitam uma alta ainda mais significativa na produtividade agrícola. E isso significa falar em mais alimentos na mesa do brasileiro e conquista de divisas no mercado global.

Reforço ainda que essas plantas seguem padrões rígidos de segurança e sustentabilidade. Adotamos tecnologia, enquanto prezamos, na grande maioria dos associados do Sindical, por respeito aos colaboradores, com vários deles somando décadas de atuação numa mesma empresa.

Em resumo, o compromisso do desenvolvimento tem em nossas indústrias um aliado de primeira hora.

Por fim, não poderia deixar de homenagear nesta data especial o engenheiro Fernando Carlos Becker, que recentemente nos deixou. A escolha da data de nascimento de Becker como o Dia do Calcário Agrícola demonstra nossa gratidão a esse profissional e amigo.

João Bellato Júnior

Presidente do Sindicato das Indústrias de Calcário e Derivados para Uso Agrícola do Estado de São Paulo (Sindical)

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