Dia Nacional do Calcário Agrícola: dados da correção de acidez mostram riscos ao produtor de São Paulo

O Brasil comemora o Dia Nacional do Calcário Agrícola neste domingo, 24 de maio. Porém, a indústria paulista do setor chama a atenção para números tímidos de aplicação desse importante corretor de acidez do solo. A defasagem beira 30%, ameaçando a produtividade no campo e a lucratividade do negócio.

O consumo de 2025 ficou próximo de 2024, segundo divulgação conjunta do Sindicato das Indústrias de Calcário Agrícola do Estado de São Paulo (Sindical) e da Abracal, a associação brasileira do setor.

O consumo paulista do produto ficou perto de 4,78 milhões de toneladas no ano passado. Em 2024, havia atingido 4,94 milhões de toneladas.

Para o presidente do Sindical, João Bellato Júnior, a estagnação paulista resulta da queda nos preços das commodities, como o açúcar e a soja. “Esperávamos um consumo maior principalmente com a reforma dos canaviais. Porém, isso não ocorreu”, afirma o presidente, que também dirige a Abracal.

As questões geopolíticas, na Ucrânia e no Estreito do Ormuz, ampliaram as incertezas. “2026 deve repetir números parecidos com o ano passado”, estima Bellato.

A questão dos custos

São Paulo é o quarto estado no ranking nacional de consumo de calcário. Nas demais regiões do país, a defasagem é parecida. Solos predominantemente ácidos são ruins para as estatísticas e para o bolso do agricultor, que precisa tomar uma decisão mais estratégica.

“Na produção, a adubação mineral, por exemplo, representa uma parte considerável dos custos dos insumos, com o preço atrelado a cotação do dólar e dependência de fornecimento importado. Já o calcário é um insumo nacional, com baixo custo, além de potencializar os efeitos dos adubos”, avalia o engenheiro agrônomo Jairo Hanasiro, especialista em nutrição de plantas.

Estudo da Pecege Projetos apontou que, na safra 25/26 da cana paulista, o calcário representa 2,7% do custo total da produção. “O agricultor, principalmente os pequenos, tem a alternativa de buscar informações junto aos agrônomos e aos órgãos públicos, como a CATI. Nossas indústrias associadas também podem ajudar nesse processo, juntamente com a orientação técnica”, avalia Bellato.

Clique aqui e veja os dados do consumo de calcário no país, segundo a Abracal.

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