Como armazenar calcário: 5 pontos essenciais sobre a operação
Uma das principais dúvidas dos produtores agrícolas nos últimos meses tem sido sobre o armazenamento do calcário após sua compra. A questão envolve a possibilidade de obtenção de fretes mais em conta, já que o transporte do insumo até o ponto de utilização representa um custo que deve ser monitorado.
E como sabemos que os custos de produção estão afetando a lucratividade do negócio, esse acompanhamento precisa ser bem afinado.
Por isso, reunimos cinco pontos que você deve considerar no armazenamento.
1 – Fique de olho na sua região
Engenheiro agrônomo e especialista em solos, Jairo Hanasiro diz que o produtor precisa ficar atento ao cenário regional de consumo de calcário. “Cada região tem uma curva de demanda característica em função das culturas predominantes naquela área”, cita.
A predominância do cultivo da cana-de-açúcar faz com que o carregamento nas indústrias do estado de São Paulo seja melhor distribuído. “Já nos estados com predominância dos grãos, este pico de carregamento tende a ser mais intenso”, diz o engenheiro.
Por isso, a percepção de que o produto pode ser adquirido a qualquer momento é incorreta tanto tecnicamente como financeiramente falando. Houve um crescimento das áreas plantadas e, em parte dos casos, da quantidade utilizada por hectare.
2 – Planejamento ajuda em tudo
Coloque a aquisição do calcário, fertilizantes e outros insumos no seu planejamento.
Isso ajuda em várias frentes do negócio. Uma delas é a do plantio com o solo nas melhores condições possíveis. A calagem deve ser a primeira providência, tão logo cheguem os resultados da análise de solo.
Uma avaliação dos resultados da análise é necessária, feita por um técnico especializado. A interpretação ajudará na resposta a outra questão: qual o volume de calcário devo aplicar?
3 – Frete retorno, uma boa alternativa
Presidente do Sindical, João Bellato Júnior vê a logística como fundamental para o agricultor. “Em maior ou menor incidência, a questão reflete na operação e nos custos do agronegócio, não importando o tamanho da empresa”, avalia.
Uma das alternativas citadas por Bellato é o frete retorno. Ocorre quando o produtor consegue contratar uma carreta que retornaria vazia de outra entrega. O custo na volta é mais em conta.
O presidente do Sindical aponta que, nessas situações, o produtor rural também tem mais tempo para definir a questão do frete, podendo analisar mais alternativas.
4 – Siga as instruções dadas pela indústria
Jairo Hanasiro conta que as indústrias produtoras de calcário rotineiramente passam instruções aos clientes. “Seguidas essas instruções e bem armazenado, a qualidade do produto não se altera”, afirma.
Outro ponto de orientação são as cooperativas. Geralmente, elas fornecessem informações sobre os insumos.
5 – Calcário a granel, chuva e vento: como fazer
Muitas vezes surgem dúvidas sobre o armazenamento, pelo fato de os produtores rurais confundirem o calcário com fertilizantes. Mas, ao contrário do fertilizante formulado, que é solúvel em água, o calcário é uma rocha moída de baixa solubilidade. Fatores como vento e chuva têm baixo impacto na qualidade do calcário armazenado no pátio ou perto da área de aplicação.
Segundo a Embrapa, o calcário armazenado a granel no campo não tem diferença química do calcário ensacado armazenado no galpão. Porém, vale trocar uma ideia sobre o tema com o agrônomo. Eventuais variações na umidade do produto a granel podem alterar a dose a ser aplicada. Siga as instruções de armazenamento da empresa fornecedora.
Outra dica: a céu aberto, é melhor estocar o calcário em forma de “pilha piramidal” ▲. Isso irá evitar a formação de poças de água em cima do produto. E no contato inicial com a chuva, a água vai escorrer e formar uma “casquinha”, uma camada mais endurecida sobre a pilha que irá proteger o produto.