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Laranja, cana e soja pós-Covid-19 ampliarão desafios do agricultor paulista

Análises de 16 pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola, ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apontam que os impactos da Covid-19 no agronegócio paulista serão importantes.

Nos mercados, haverá mudança de destino de exportações. Também deve ser maior o conjunto de exigências sanitárias por parte dos clientes. A digitalização será ampliada.

Abaixo, estão as análises de quatro dos principais clientes do calcário paulista – laranja, sucroalcooleiro, soja e carne bovina. O estudo mostra ainda o impacto no setor de amendoim, algodão, trigo, café, feijão, leite e derivados.

"As informações contribuem na tomada de decisões dos diversos agentes envolvidos, mas  também as possíveis mudanças que a pandemia pode trazer ao setor no futuro", afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento Gustavo Junqueira.

"O cenário que se estabeleceu nos últimos meses fez com que setores do agro que ainda não haviam se inserido na era digital iniciassem a transformação que será bastante notada no final da pandemia. O agronegócio paulista não estará no mesmo patamar no final da crise e incrementos de inovação serão notados em todos os segmentos", avalia Priscilla Rocha Silva Fagundes, diretora-geral do IEA.   

Confira abaixo a análise do IEA para quatro setores em São Paulo.

Citros para a indústria

São Paulo é o maior produtor e exportador de citros do mundo. Os pesquisadores percebem tendência na demanda internacional por sucos cítricos, principalmente, por esses produtos serem ricos em vitamina C. Há uma tendência de normalização do mercado chinês, porém, há problemas no mercado europeu na área de liberação das cargas nos portos e uma perspectiva de aumento de preços em Nova York, devido à alta do dólar. No mercado interno há aumento do consumo de NFC, o que traz oportunidades para pequenas extratoras e aumento de venda para o consumidor. Os estoques de passagem estão altos no mercado interno e há previsão de menor safra em 2020, o que tenderia a equilibrar os preços pagos a caixa de 40,8 kg da fruta.

Cana-de-açúcar

Principal produto do agronegócio paulista, o cenário mundial, segundo os pesquisadores do IEA, influencia o mercado da cana-de-açúcar, devido à alta no valor do dólar, a queda dos preços do petróleo e açúcar em Nova York e a diminuição na demanda por combustível, devido à redução no deslocamento. A maior porcentagem do mix de produção deve ser destinado a produção de açúcar.  O país é um dos maiores produtores e exportadores de açúcar. No período de melhor preço do açúcar parte das unidades industriais herdaram sua produção garantindo um melhor preço para seu produto.

Complexo soja

Segundo os pesquisadores, a comercialização da soja transcorre normalmente sustentada pelas vendas antecipadas e pela desvalorização cambial. Efeitos da decisão chinesa de adquirir os grãos estadunidenses são amenizados pelos contratos antecipados. Se mantida, a decisão trará implicações à safra 2020/21. O recuo da demanda por farelo poderá ser atenuado pelas exportações de carnes ligadas à desvalorização do real em relação ao dólar. Para os especialistas do IEA, o desafio imposto é a garantia de disponibilidade interna de óleo de soja, devido ao crescimento na demanda sem que a oferta acompanhe. Esse comportamento reduz significativamente o estoque do derivado. O aumento do processamento do grão que implica diminuição da quantidade exportada é a forma de garantir suprimento desse item básico da alimentação brasileira.

Carne bovina

O Brasil é o maior exportador de carne bovina no mundo e a China está retomando suas compras. No cenário brasileiro pode haver fechamento de algumas plantas de grandes frigoríficos e a há a preocupação dos pequenos e médios produtores quanto ao consumo no mercado interno, que traz como consequência a redução da margem de lucro. Houve queda no consumo de restaurantes e fast foods e aumento nos custos de produção devido aos preços do milho e da soja. Já houve a retomada das exportações para a China e há preocupação com a concorrência com os Estados Unidos. O benefício das exportações deve ficar para os grandes frigoríficos. Há expectativa de redução dos abates e da demanda interna, com a preferência, no Brasil, pelo consumo de proteínas mais baratas, o que impacta os pequenos e médios frigoríficos.

Veja outros setores clicando aqui.

 
 
 

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